quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Cansaço e Mitocôndria

Cansaço e Mitocôndria. Qual a relação?

AlimentaçãoDiversos

8 de maio de 2015

As mitocôndrias são as organelas que geram energia para a célula estando presentes em todas as células do corpo humano, exceto as células vermelhas do sangue e convertem proteínas, gorduras e carboidrato em  ATP, nossa  principal forma de energia celular . As mitocôndrias são responsáveis pela geração de mais de 90% da energia necessária para o corpo estimular o crescimento e manter a vida. Quando mais velho ficamos  menos mitocôndrias e menos produção de energia ( ATP)

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Mitocôndria

Quando elas começam a falhar, menos energia é gerada dentro da célula, podendo causar lesão e até mesmo morte celular. Se este processo for repetido por todo o organismo, sistemas inteiros começam a falhar e a qualidade de vida deste indivíduo fica severamente comprometida.,

A perda de função na mitocôndria, organela chave responsável pela produção de energia celular, pode resultar em excesso de fadiga e outros sintomas que são queixas frequentes em quase toda doença crônica.

Umas das  atuais vertentes  para  o envelhecimento saudável  é a busca de formas  de estimular a  biogênese mitocondrial , isto é, o nascimento de novas mitocôndrias, independente da idade. Existem inúmeras formas de se fazer isso, mais abaixo citarei algumas.

No nível molecular, uma redução da função mitocondrial ocorre como um resultado das seguintes alterações:

(1) uma perda de manutenção elétrica e química dos potenciais da membrana mitocondrial interna,

(2) alterações na função da cadeia de transporte de elétrons (CTE),

(3) uma redução no transporte de metabólitos críticos nas mitocôndrias.

Por sua vez, estas alterações resultam numa redução da eficácia da fosforilação oxidativa e uma redução na produção de trifosfato de adenosina (ATP). Esta fadiga é muitas vezes descrita pelos pacientes como uma falta de energia, cansaço mental ou físico, resistência diminuída e recuperação prolongada após a atividade física, coisa bem comum de se ouvir de pessoas doentes e mais velhas Mecanismos etiológicos subjacentes à fadiga não são bem compreendidos, no entanto, a fadiga é um sintoma característico da doença mitocondrial.

Por isso, uma revisão realizada por Filler et al.1 analisou estudos que investigaram a associação de marcadores de disfunção mitocondrial com fadiga e propôs possíveis direções de pesquisa para melhorar a compreensão do papel da disfunção mitocondrial na fadiga. A busca minuciosa usando PubMed, Scopus, Web of Science, e Embase localizou 1.220 artigos. Depois da aplicação de critérios de inclusão e exclusão, um total de 25 artigos que atenderam aos critérios de elegibilidade foram selecionados para a revisão completa. Disfunções na estrutura mitocondrial, a função mitocondrial (enzimas mitocondriais e estresse oxidativo/nitrosativo), metabolismo energético mitocondrial (ATP produção e metabolismo de ácidos graxos), as respostas imune e genética foram investigadas como potenciais contribuintes para a fadiga. A carnitina foi o marcador da função mitocondrial mais investigado. Níveis disfuncionais foram relatados em todos os estudos investigando carnitina, no entanto, o tipo específico de carnitina que apresentou nível disfuncional  variou. Perfis genéticos foram o segundo parâmetro mitocondrial mais estudado. Foram propostas seis vias comuns: metabolismo, produção de energia, o transporte de proteínas, morfologia mitocondrial, disfunção do sistema nervoso central e infecção pós-viral. A coenzima Q10 foi a enzima mitocondrial mais comumente investigada. Os baixos níveis de coenzima Q10 estiveram consistentemente associados à fadiga.

Vários componentes do sistema metabólico mitocondrial requerem a substituição de rotina, e essa necessidade pode ser facilitada com suplementos naturais. Os ensaios clínicos têm demonstrado a utilidade do uso de suplementos orais de reposição, tais como L-carnitina, ácido alfalipóico, coenzima Q10 (ubiquinona). Combinações destes suplementos podem reduzir significativamente a fadiga e outros sintomas associados com a doença crônica e podem naturalmente restaurar a função mitocondrial, mesmo em pacientes de longo prazo com fadiga intratável.

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  • Deficiência de L Carnitina

A carnitina (ácido beta-hidroxi-gama-trimetilaminobutírico) é substância indispensável para transportar os ácidos graxos de cadeias médias e longas através da membrana interna das paredes mitocondriais. A carnitina disponível para esta função provém 25% da dieta normal e 75% é sintetizada no organismo. Não é conhecido e requerimento dietético diário, mas sabe-se que a carne contém mais carnitina que os vegetais. A síntese da carnitina é feita a partir da lisina, que é transformada em gamabutirobetaína que é transformada em carnitina no fígado e rins dos seres humanos. A deficiência de carnitina pode ocorrer por dieta deficiente, diminuição da síntese hepática, aumento de excreção, defeito de transporte da carnitina para o músculo e alta proporção de carnitina esterificada em relação a carnitina livre.

Sintomas: Cardiomiopatia, déficit de crescimento e alterações da consciência e coma, por vezes, hipotonia. O tratamento consiste na suplementação da dieta com L-Carnitina.

  • Deficiência de Coenzima Q10

A CoQ10 é feita naturalmente no corpo, mas a deficiência pode ocorrer devido a doença, baixo consumo de alimentos ou a utilização de alta CoQ10 pelo organismo. Os sintomas de deficiência incluem insuficiência cardíaca, pressão arterial elevada e dor no peito. Dependendo da causa da deficiência, suplementos com CoQ10 ou aumento da ingestão diária pode ser eficaz. A falta da Coenzima Q10 pode causar diversas situações de importância clínica, como:

– Insuficiência cardíaca: Evidências preliminares sugerem que CoQ10 pode ser eficaz para a insuficiência cardíaca crônica. Baixos níveis sanguíneos de CoQ10 têm sido associados a esta condição. CoQ10 tem sido utilizado em combinação com outras ervas e suplementos para a insuficiência cardíaca crónica.

– Pressão alta: Há boas evidências para apoiar o uso de CoQ10 no tratamento da pressão arterial elevada. No entanto, são necessários mais estudos avaliando uma dose mais elevada, por um período de tratamento mais longo.

– Degeneração macular relacionada à idade: Degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença ocular que causa perda de visão em adultos mais velhos. As primeiras investigações sugerem que uma combinação de acetil-L-carnitina, ômega-3, e CoQ10 pode melhorar a função visual de DMRI.

– Envelhecimento cutâneo: Estudos iniciais sugerem que uma combinação de CoQ10 e outros antioxidantes e minerais podem melhorar a aspereza da pele e as rugas finas. Mais pesquisas são necessárias para entender o papel da CoQ10 no envelhecimento da pele.

– Doença de Alzheimer: Existe alguma evidência de que a idebenona, um composto feito pelo homem, semelhante a CoQ10, pode beneficiar as pessoas com doença de Alzheimer. No entanto, o efeito da CoQ10 em si ainda não está bem esclarecido.

– Esclerose lateral amiotrófica (ELA): CoQ10 tem sido estudada para a esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que afeta o cérebro e células nervosas da medula espinhal que controlam o movimento muscular.

                                doencas-mitocondriais CoQ10

Pirroloquinolina quinona – PQQ: Em 2010, pesquisadores da Universidade da Califórnia na cidade de Davis, lançaram um artigo de revisão mostrando que o papel fundamental da Pirroloquinolina quinona – PQQ (uma vitamina do complexo B) no crescimento e desenvolvimento, decorre de sua capacidade única para ativar vias de sinalização diretamente envolvidas no desenvolvimento, funções e metabolismo energético celular. O estudo demonstrou de modo muito significativo que a PQQ não só protege a mitocôndria do estresse oxidativo, mas promove a geração espontânea de novas mitocôndrias (biogênese mitocondrial) nas células em processo de envelhecimento. Trata-se de um antioxidante extremamente potente, até cinco mil vezes mais eficaz que a vitamina C (veja meu post Déficit de Memória, Envelhecimento e a Importância da PQQ).

Ácido Lipóico: Presente em todas as células do nosso corpo, é chamado de antioxidante universal, pois é solúvel tanto em água quanto em gordura, ajudando a diminuir o armazenamento de gordura no corpo direcionando as calorias para produção de energia. O aumento de energia permite à célula ingerir mais nutrientes, remover resíduos e substituir componentes danificados. O Ácido Lipóico é encontrado em pequenas quantidades em alimentos como o espinafre, brócolis, ervilha, levedo de cerveja, couve, farelo de arroz e carne, ele é facilmente absorvido pela corrente sanguínea e também pode cruzar a barreira hematoencefálica.

D-Ribose: é um carboidrato monossacarídeo diferenciado, sendo componente do material genético e do ATP (trifosfato de adenosina). O ATP é uma molécula utilizada pelo nosso corpo como principal fonte de energia. Todos os movimentos e processos químicos do organismo são alimentados por moléculas de ATP. Já é conhecida a suplementação com ribose por via oral, por um período curto de tempo, porém os efeitos da ribose são potencializados através do tratamento endovenoso, realizado por um profissional de saúde especializado. Não é de ocorrência natural nos alimentos, exceto na forma de riboflavina (vitamina B2). Algumas das melhores fontes de riboflavina incluem filé mignon, ovos, leite de vaca, leite de cabra e iogurte, salmão, atum, arenque e bacalhau. A riboflavina é encontrada em uma grande variedade de alimentos vegetarianos e é particularmente rica em vegetais de folhas verdes. Algumas das melhores fontes incluem nozes, grãos integrais, espinafre, couve de Bruxelas, legumes, cogumelos, espargos, acelga, mostarda, couve, nabo, aipo, repolho e alface.

L-Carnitina: é um nutriente fabricado pelo próprio organismo, sintetizado nos rins, fígado e cérebro a partir de dois aminoácidos essenciais, a lisina e metionina, estando presente em todas as mitocôndrias. E seus níveis teciduais são influenciados por fatores desde má alimentação até desnutrição, envelhecimento e algumas doenças. Por proporcionar uma variedade de benefícios para o organismo, pode aumentar a desempenho energético, reduzir os danos da neuropatia diabética e regular o metabolismo associado ao estresse oxidativo das células.

Vitamina B3 (niacina): também conhecida como niacina ou ácido nicotínico, é importante para a manutenção do sistema nervoso. Principais fontes: amendoim, castanha do Pará, levedura, fígado, aves, carnes magras, leite, ovos, frutas secas, cereais integrais, brócolis, tomate, cenoura, abacate, batata doce e em grande parte dos legumes, verduras e frutas, em geral. Pesquisadores da Universidade de Helsinki, na Finlândia, e da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça, têm mostrado que a vitamina B3 pode retardar a progressão da doença mitocondrial, sugerindo o seu potencial como uma abordagem terapêutica inovadora para as doenças mitocondriais musculares em adultos. Em sua publicação atual, Dr. Nahid Khan do grupo Prof. Anu S. Wartiovaara mostrou que alimentando ratos com alimentos suplementados com a vitamina B3, retardou a miopatia mitocondrial. O tratamento aumentou a massa e função mitocondrial, e curou as anormalidades estruturais. Estes resultados mostram claramente o potencial desta forma de vitamina B, para ativar o metabolismo mitocondrial disfuncional.A melhor  forma  de usar a vitamina B3 é em HEXANICOTINATO DE INOSITOL

“Estes resultados são um avanço para a compreensão dos mecanismos de doenças mitocondriais musculares humanas e para explorar as opções de tratamento eficazes para esses distúrbios progressivos de adultos. Eles também destacam o papel potente de niacina em guiar o metabolismo energético mitocondrial”, concluiu o Professor Wartiovaara.

Como podemos observar, a alimentação natural é forte aliada da saúde mitocondrial. Portanto, muito cuidado com alimentação industrializada, rica em carboidratos simples, com baixa concentração de minerais essenciais como Cromo, Zinco, Cobalto, Manganês, Magnésio, Cálcio, Complexo B e Vitaminas C e E. Este tipo de alimentação tem ação deletéria sobre o nosso DNA, sendo esta ação mais intensa sobre o DNA mitocondrial, que é 20 vezes mais sensível à ação dos radicais livres do que o DNA nuclear.

Restrição calórica:  Conhecida há mais de 70 anos, a restrição calórica (RC) diminui a expressão de genes associados ao envelhecimento e aumenta a biogênese mitocondrial muscular, aumentando a disponibilidade energética celular. Nos experimentos com animais avaliando o envelhecimento e doenças neurodegenerativas, a restrição calórica protegeu os neurônios. Em indivíduos obesos, há maior tendência a uma diminuição no desenvolvimento cognitivo com o envelhecimento. A RC também pode contribuir no aumento da expressão de antioxidantes, como por exemplo, ratos alimentados com uma dieta menos calórica tendem a exibir maior quantidade de vitamina E, coenzima Q-10 nas membranas celulares cerebrais. Essa capacidade de estimular a expressão de antioxidantes é fundamental para reduzir os danos oxidativos em proteínas, lipídios e DNA.  A restrição dietética, aliada a uma nutrição balanceada em nutrientes e não nutrientes, induz efeitos benéficos sobre a saúde, como aumento da longevidade, retardo na incidência de doenças crônicas, prolongamento da fase reprodutiva, maior preservação do colágeno e atraso na formação de lipofuscina nos tecidos. No caso da saúde cardiovascular, a restrição calórica conduz a uma diminuição na produção de espécies reativas e, consequentemente, da lipoperoxidação cardíaca e também a um aumento das defesas antioxidantes, protegendo o miocárdio. A restrição calórica (RC) é responsável pelo aumento da capacidade antioxidante, do reparo celular e da resposta imune, protegendo mais os indivíduos do estresse oxidativo. Outro benefício da RC é aumentar o nível das sirtuinas. Elas foram isoladas e caracterizadas por Sinclair e Guarente em 199748 e compreendem proteínas desacetiladoras dependentes da coenzima NAD, envolvidas no controle do metabolismo energético e associadas à longevidade. A restrição calórica estimula as sirtuínas que inibem a expressão do NFkB, reduzindo a inflamação, a imunossenescência e o envelhecimento celular.

 

Referências

Types of Mitochondrial Disease

http://www.umdf.org/site/pp.aspx?c=8qKOJ0MvF7LUG&b=7934629

Luft, R. The development of mitochondrial medicine. [Review]

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC44681/

Síndrome de Barth

http://portaldocoracao.uol.com.br/doencas-de-a-a-z/sindrome-de-barth

Christodoulou, J. Barth syndrome: clinical observations and genetic linkage studies.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=American+Journal+of+Medical+Genetics%2C+50(3)%3A+255-64%2C+1994

Atrofia ótica, tipo Leber

http://www.orpha.net/consor/cgi-bin/OC_Exp.php?lng=PT&Expert=104

Síndrome de Leigh

http://www.centrodegenomas.com.br/m720/doencas_mitocondriais/sindrome_de_leigh

Cerebral creatine deficiency syndromes: clinical aspects, treatment and pathophysiology.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18652076

Human Coenzyme Q10 Deficiency

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1832150/

 Doenças mitocondriais

http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=3279

Energizing sick mitochondria with vitamin B3: Effective treatment for mitochondrial disease

http://www.sciencedaily.com/releases/2014/04/140407090403.htm

Déficit de Memória, Envelhecimento e a Importância da PQQ

http://www.robertofrancodoamaral.com.br/blog/alimentacao/pqq-o-super-antioxidante/

Mitochondrial dysfunction and chronic disease: treatment with natural supplements.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24473982

Association of Mitochondrial Dysfunction and Fatigue: A Review of the Literature.

Nutrientes e Mitocondria

Metabolismo mitocondrial, radicais livres e envelhecimento 

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1809-98232011000300005&script=sci_arttext

 

 

 

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Respeito

Respeito

 

“O respeito sempre olha além dos erros, fraquezas, comportamentos antigos e mesmo as intenções manipuladoras dos outros. Ele vê e afirma a bondade inata e o valor do outro, mesmo quando o outro não pode ver por si mesmo. Ele vê o valor inestimável de cada pessoa, bem como seu próprio valor.”

Mike George, Tornar-se e ser um pacificador, Editora Brahma Kumaris, 2013

Leite de soja ou do capeta

LEITE DE SOJA – DE ONDE VEIO A IDÉIA DE QUE É UM ALIMENTO SAUDÁVEL?

Written by admin. Posted in Sem categoria

            Queridos amigos, é com grande preocupação que resolvi escrever sobre este tema. Minha intenção é sempre a informação aos leitores, mas acredito que toda vez que oriento as pessoas em coisas que deveriam mudar para que as crianças possam gozar de um futuro com mais saúde, o assunto se torna mais sério. Na realidade acho que atendo alguma mãe preocupada com seus filhos, acabo fazendo uma consulta muito mais cuidadosa, pois tenho profundo sentimento de tristeza com os hábitos que os pais de hoje estão literalmente criando para seus filhos.
            Quero que vocês saibam que tive que ler alguns muitos artigos e livros de especialistas no assunto para que pudesse compreender exatamente todos os aspectos, os prós e contras e disponibilizar às pessoas todos os principais aspectos referentes a este alimento.
            Em janeiro de 2004 o departamento de saúde do Reino Unido, através do periódico CMO’s Update (comunicado a todos os médicos) recomendava aos pediatras, mais uma vez, que não se indicasse fórmulas infantis à base de soja para alimentação infantil.
            No Brasil, costumamos chamar as fórmulas infantis de leite em pó. Quando examinamos com
atenção a composição das latas dos leites em pó para crianças é simples enxergar que na verdade não se trata de leite em pó. São ordinariamente fórmulas alimentares. Mas como chamar  estas fórmulas de” leite em pó” é muito mais  atraente ao público, nem as pessoas em geral e nem mesmo os médicos prestam atenção ao conteúdo dessas apresentações alimentares.
            E se eu disser a vocês que vou oferecer a um recém nascido, um componente feito de óleo de canola, que inacreditavelmente está presente nas fórmulas infantis mais comuns, o que você pensaria? Será então que você sabia deste fato? (aconselho vocês que ainda não leram meu artigo sobre o Óleo de Canola, que leiam atentamente)
            E pensando sobre o comunicado no Reino Unido, porque será que essa recomendação foi feita? Pois bem, vamos aos detalhes do comunicado que contém textos que advertem: “As formula baseadas em soja têm altos conteúdos de fitoestrogênios, o que pode colocar em risco a saúde reprodutiva das crianças”. Deixem-me então explicar resumidamente o que são Fitoestrógenos.
            O prefixo “Fito” representa algo que vem das plantas e Estrógenos são estruturas químicas diferentes estruturalmente dos Hormônios Estrogênios existentes no corpo humano. Fitoestrógenos são então substâncias que vêm das plantas e uma vez no corpo humano, exercem funções semelhantes a estes hormônios estrogênios, que por sua vez são hormônios que estão presentes abundantemente em mulheres e são responsáveis por características sexuais físicas do corpo feminino.
            Mais adiante o mesmo artigo diz que o Comitê Científico de Recomendação Nutricional estabelece que não existe um único benefício que justifique o uso desse tipo de alimento industrial para bebês. E mais: “… não existe uma única condição clínica que requeira especificamente o uso de fórmulas a base de soja”. Essas são recomendações do ministério da saúde inglês. Devemos acreditar que isso não seja implicância com os países que tem na soja importante forma de comércio. Vamos examinar melhor esse extravagante produto que muitos gostam de chamar de leite de soja, na verdade um extrato vegetal. Não tenho dúvida e tenho certeza de que, ao final deste artigo, você também não terá de que esse extrato é comparado ao leite com a única finalidade de confundir o público consumidor e com propósitos muito distantes de oferecer um alimento natural, especificamente aos recém nascidos, e às pessoas em geral.
            E como acho que vocês já notaram que é realmente fundamental que saibamos um pouco de história para podermos entender mais profundamente sobre alimentos, vamos esclarecer alguns pontos.
            A primeira fórmula infantil a base de soja conhecida, foi empregada na América do Norte, provavelmente em 1909. Foi elaborada por um pediatra, Dr. John Ruhrah, preocupado em oferecer opções às crianças com problemas digestivos. Em 1916 o Jornal da Associação Médica Americana publicava um artigo que estudava o uso de uma formulação com soja para crianças com diarréia, com uma taxa de sucesso de 59,4%. No oriente o primeiro uso desse tipo de formulação data de 1928, mas teve sua composição modificada já em 1931, em função de carências nutritivas. (Essa nova fórmula continha sal, açúcar, lactato de cálcio, óleo de fígado de bacalhau e água de repolho).
            O leite de soja seja na formulação de pó em lata ou líquida em caixas, jamais é pura soja. Isso seria absolutamente prejudicial. Esses produtos são fortemente modificados em sua composição final para atender predicados mínimos de saúde nutricional. E esses predicados foram se modificando ao longo do século XX, conforme foi se descobrindo suas insuficiências e potencialidades tóxicas.
            Vou continuar provando a vocês que esse tipo de alimento só tem a palavra saudável ou natural em seus rótulos para obter simpatia de marketing! E a indústria alimentícia, bem como a farmacêutica sabe muito bem do apelo comercial e a força da palavra “natural”, por isso usam com tanta frequência e conseguem seduzir tanta gente. Vou dar um exemplo para que entendam: veneno de cobra é natural, mas mata, é ruim, ao passo que existem cápsulas de Vitamina A manipulada, são sintéticas, mas fazem bem por ser bioidênticas.
            Saibam que infelizmente o leite de soja tem sido indicado também para mulheres na menopausa devido ao seu efeito estrogênico, mas devido aos diversos componentes adicionados ao mesmo, além do fato de enxerem estas mulheres de efeitos estrógenos sem a oposição da protetora progesterona (confundida pela imensa maioria dos médicos com progestágenos) pode ser um terrível problema para o desenvolvimento ósseo normal, predispondo-as à osteoporose. Além deste problema, a opção atual para o tratamento da menopausa é de fato através da Modulação Hormonal Bioidêntica, com uso de estrogênio bioidêntico, Testosterona e Progesterona Bioidênticas com gel de alta absorção, uma vez que sabemos que é fundamental termos o efeito protetor da Progesterona e perigoso termos somente o efeito de um Fitoestrógeno.
            Outro grave problema é o excesso de manganês. Esse excesso nem é uma conseqüência da industrialização, mas um problema inato do grão de soja. Tal mineral pode ser encontrado em concentrações 30 vezes maiores que a do leite humano. O excesso de manganês pode estar associado á déficit de atenção, dificuldade de aprendizado, distúrbios de comportamento e agressividade. Como esse é um aspecto inato da soja, talvez a única solução para acabar com esse problema seria não produzir mais esse tipo de manufatura alimentar.
            Conseguem perceber o quanto temos ouvido falar sobre a quantidade cada vez maior de crianças e jovens diagnosticados, ao meu ver erroneamente, com Déficit de Atenção e Hiperatividade? Porque será que até pouco tempo atrás, era uma doença praticamente inexistente? Não seria mais prudente que fosse realizado uma pesquisa completa com exclusão de alimentos tóxicos do cardápio das pessoas, ao invés de logo ser prescrito um medicamento altamente controverso como a Ritalina, o qual já existe uma série de estudos comprovando seus efeitos adversos, principalmente a longo prazo, principalmente quando estamos lidando com crianças?             É, nós médicos somos ensinados infelizmente a tomar as decisões pelo que parece mais fácil, isto é, prescrever drogas, ao invés de fazer o correto, que pode ser mais difícil e levar mais tempo, entretanto com toda certeza é a melhor forma de gerar saúde.
            Há ainda os agentes anti-tireoideos, ou groitogênicos, que podem estar associados a doenças auto imune que afetam a esta glândula. Os danos à tireóide foram descobertos já em 1939, e isso obrigou os fabricantes a adicionar iodo aos derivados de soja. Infelizmente não acredito que isto seja o suficiente para proteger plenamente os consumidores.
            O processo industrial pode gerar lisinoalanina – agente tóxico, e nitrosaminas, reconhecidos carcinogênicos. Além disso, pode ser produzido MSG, ou ácido glutâmico, com ação neurotóxica (tóxica ao seu cérebro). Adicionalmente os produtos a base de soja podem ter taxas elevadas de alumínio, um dos tóxicos minerais mais comuns presentes no organismo.
            Entre os nutrientes da soja os fatores alergênicos têm alta relevância. E para que vocês notem a “cara de pau” da indústria da Soja, estes produtos são vendidos como sendo hipoalergênicos. Entretanto desde 1930 os produtos a base de soja são reconhecidamente indutores de alergia. Naquela época já era percebido que as crianças verdadeiramente alérgicas ao leite de vaca seriam também alérgicas ao leite de soja. Recentemente o Colégio Australiano de Pediatria advertia que esse tipo de produto não deveria ser utilizado como profilaxia para quadros alérgicos frente aos seus potenciais riscos para a saúde geral da criança, além do mais a proteína de soja é alergênica simplesmente por si própria.
            Pesquisas científicas descobriram que as fórmulas de soja reduzem as imunoglobulinas e proporcionam mais infecções do que em crianças alimentadas com produtos naturais (leite de peito ou mesmo o problemático leite de vaca, o qual hoje é considerado um sério problema de saúde pública também pelos maiores especialistas em nutrigenética do mundo*).
Leia sobre “O Mito do Leite”: http://www.blogdodrvictorsorrentino.com/2012/07/a-verdade-sobre-o-mito-do-leite.html
            Outras pesquisas mostram uma deficiência na resposta imunológica às vacinas em nenês alimentados com soja. Seus autores advertem que proteínas vegetais nunca deveriam ser administradas às crianças nos primeiros meses de vida.
            Outro fator terrível é a presença do adoçante HFCS (High Frutose Corn Syrup), xarope de milho. Esta substância tem sido apontada como grande responsável pela epidemia de obesidade no mundo moderno e considero realmente uma “praga”, pois está presente, segundo estudos atuais,  em mais de 90% dos produtos industrializados americanos!
            O leite à base de soja tem outra “virtude” do mundo do marketing: tem zero % de colesterol* (ainda escreverei um artigo sobre o Mito do Colesterol em breve). Ao contrário do leite materno que é riquíssimo nessa substância, que pode corresponder a 50% de seu valor energético. O colesterol é fundamental para o desenvolvimento normal do sistema nervoso central. Todas as vitaminas lipossolúveis – A, D, E e K – naturalmente faltam nas fórmulas à base de soja. Não existe vitamina B12 em qualquer alimento do reino vegetal, e essa vitamina absolutamente vital também falta no leite de soja. A insensata crença de que o beta caroteno vegetal pode ser um substituto da vitamina A pode trazer danos ao fígado de recém nascidos e levar à falta dessa vitamina. Problemas oftálmicos podem acontecer. A antiga tradição de se adicionar óleo de fígado de bacalhau visava suprir essas limitações: vitaminas A e D.
            Como todos sabemos a soja é rica em isoflavonas. É público e notório que as isoflavonas tem atividade biológica similar aos estrogênios. Muitas pessoas crédulas absolutas nos benefícios dos alimentos de origem vegetal entendem que as isoflavonas são uma dádiva abençoada por deus presente nesses seres vivos. Algumas pesquisas demonstraram uma péssima virtude dos fito estrogênios: inibir a capacidade reprodutiva dos seus predadores.
            Ao contrário do que muita gente gostaria de acreditar os agentes estrogênicos presentes nas plantas podem ser um delicado veneno que não mata agudamente, mas inibe a reprodução e corrompe lentamente a saúde de quem o consome. Isso sem pensar no fato de que historicamente a Soja era utilizada para praticamente “eliminar” a libido de monges, provando mais uma vez a sabedoria milenar faz todo sentido e deve ser respeitada e no mínimo estudada…
            Em 1999 um artigo britânico da Comissão de Nutrição do Reino Unido advertia que os efeitos das isoflavonas presentes nos produtos de soja já estavam claramente definidos. Incluíam alterações nas funções das glândulas sexuais, no sistema nervoso, na tireóide e nos padrões de comportamento..
            Alguns autores entendem que a alimentação à base de soja em lactantes os expõe a ingestão de quantias similares a cinco pílulas anticoncepcionais por dia. Alcançam 13000 a 22000 vezes mais agentes estrogênicos em circulação do que crianças alimentadas com leite. Pode ser altamente prejudicial aos meninos que precisam ter eficiência nas ondas de ação de testosterona nos primeiros meses de vida. A alimentação com soja pode estar incriminada no incrível aumento de puberdade precoce entre as jovens americanas, (chega a 50% entre filhas de origem africana). Os garotos podem apresentar problemas de desenvolvimento físico e sexual. Eles também parecem ser mais sensíveis a problemas de desenvolvimento cognitivo. Em outras palavras, meninos podem ficar literalmente afeminados e meninas terem sua maturação sexual acelerada.
            Estes fatos são visivelmente percebidos nos dias de hoje…
            E o pior é que existem milhares de médicos indicando publicamente a ingestão dos leites de soja pra todas as idades. Amigos, contra fatos não há argumentos, não existe forma de ter uma opinião a favor do leite de soja com todas estas evidências concretas. Quem indica a ingestão da Soja, infelizmente deve rever seus conceitos e atualizar seus conhecimentos. Acredito que uma das maiores virtudes de um homem é ter humildade.
            Fazendo uma auto crítica, posso lhes dizer que u mesmo saí da universidade com a imensa maioria de meus conhecimentos já inadequados e desatualizados, incorretos (e isso acontece com TODO médico recém formado). E como qualquer outro médico, indiquei coisas erradas sim, pensando estar ajudando, mas sem saber profundamente sobre grande parte daquelas “verdades. O pior de tudo ainda é que a imensa maioria de médicos recém formados ainda têm uma certeza infelizmente utópica, de que tudo o que aprendeu é atual, por ter sido recentemente ensinado por um professor. Mal sabem eles, que grande parte dos professores estão baseando seus ensinamentos por livros que são como bíblias e estão em média 20 anos atrasados dos estudos atualizados… Para que vocês tenham uma verdadeira noção, estudo realizado em 2011 nos Estados Unidos concluiu que já no terceiro ano do curso de medicina, o estudante já está com cerca de 50% de seu conhecimento obsoleto. E sabem quando irão atualizá-lo? Boa pergunta, porque custa tempo, dinheiro, dedicação e necessita de conscientização de um sistema de saúde dominado pela máquina da indústria alimentícia e farmacêutica.
Acho que valeu a intenção, porém equívoco meu, em não ter buscado a verdade antes de propagar aqueles conhecimentos. Entretanto sei que a partir do momento em que o médico aceita a humildade de reconhecer que o erro faz parte da natureza humana, muitas vezes há tempo para a correção das orientações erradas. Muito pior é fechar os olhos para o conhecimento e por puro orgulho, preguiça ou rancor, continuar praticando uma medicina errada e altamente prejudicial. Em tempo, deixem-me lembrar que orientais usam a soja fermentada, nunca soja da maneira com que ingerimos ok? É absolutamente diferente o processo que leva à fermentação de um alimento, o que seria mais um longo capítulo para explicá-los, mas saibam que fermentação tem outros benefícios.
Pense bem antes de submeter seu corpo a estes alimentos e mais ainda, se tiver filhos…
Untitled-5Para profissionais da área da saúde, aconselho que acessem estes sites:
DANIEL, K. The hole soy story. EEUU: New Trends Pub. 2005.
Fórmulas Infantiles a Base de Soya. Preocupaciones para La Salud- Documento Informativo de la Comisión de Alimentos, *(Food Comission) del Reino Unido. **Escrito por Sue Dibb y el Dr Mike Fitzpatrick. Abril de 1999.
CMO’s UPDATE – Janeiro 2004 – Advice issued on soya-based infant formulas

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