domingo, 24 de maio de 2015

CUIDADOS QUE SE DEVEM TER COM O USO E MANUSEIO



A absorção do medicamento homeopático ocorre com o contato na mucosa da boca. Por isso, recomenda-se:
•  Não ingerir nenhum alimento, como também não se deve beber, fumar ou escovar os dentes, pelo menos meia hora antes e depois de tomar qualquer medicamento homeopático.

•  Não utilizar medicamentos prescritos para outra pessoa, mesmo que a doença e os sintomas sejam parecidos. O tratamento homeopático individualiza o paciente e, portanto, será sempre único para você e não apenas para a doença.

•  Sempre guardar os medicamentos homeopáticos fora do alcance de crianças e de animais, em local fresco e seco, separados de outros medicamentos, protegidos da luz solar direta, de odores fortes (sabonetes, perfumes, comidas, produtos de limpeza, etc.) e da proximidade de aparelhos elétricos (geladeira, televisão, som, vídeo, microondas, telefone celular, computador, detector de metais, etc.).

•  Ao usar medicamentos homeopáticos nas formas de glóbulos/tabletes deve-se colocá-los na tampa do frasco e da tampa levá-los à boca. Nunca colocá-los diretamente na mão.


Homeopatia, a arte de enriquecer as defesas naturais do organismo.

Utilizando remédios naturais destinados a aumentar as capacidades curativas que o organismo possui, a Homeopatia trata a pessoa dentro da sua globalidade.


A doença é concebida como um desequilíbrio interno e os homeopatas se esforçam para resolver os problemas subjacentes sem atacar unicamente os sintomas.


Com este objetivo, eles utilizam remédios específicos, fortemente diluídos que, quando absorvidos de uma forma não diluída, produzirão numa pessoa sã os sintomas de uma determinada doença.


Segundo os Homeopatas, quanto mais os efeitos de uma substância se aproximam dos sintomas do paciente, mais suas virtudes terapêuticas são importantes na cura do paciente ("lei da semelhança").


Ao mesmo tempo, quanto mais uma substância é diluída, maior será sua eficácia. Assim, os remédios são preparados segundo regras estritas de diluição visando reforçar o seu poder.


Consultando um Homeopata


Muita gente se interessa em saber como deveria se portar numa consulta a um homeopata. Este texto pode auxilia-lo. É muito importante que você explique correta e detalhadamente os seus sintomas. Para isso, você precisa observar seu organismo.


Nosso corpo transmite informações importantes, que demonstram nossa maneira peculiar de ser. Procure não se censurar ao relatar um sintoma. Um sintoma pode ser estranho, mas pode também ser peculiar a determinados remédios. A Homeopatia se baseia na semelhança entre os sintomas que os pacientes manifestam, e aqueles sintomas que os medicamentos produzem no homem que os experimentou.


É fundamental que você procure relatar todos os sintomas, tanto quanto a melhora ou piora.


Antes de ir ao consultório, faça um resumo de seus sintomas, de como são e de que modo eles aparecem, melhoram ou pioram.


Siga o seguinte roteiro:


• Em relação ao horário, que parte do dia, tarde, noite eles aparecem?


• Observe a intolerância ou a melhora dos sintomas em relação às mudanças climáticas, ao sol, ao vento, à chuva, à umidade, aos golpes de ar, aos lugares quentes e fechados;


• Anote a relação de movimento ou repouso com os sintomas. Eles pioram ou melhoram ao exercitar-se, no início do movimento, após mover-se, subindo, descendo;


• Analise a posição em que os sintomas aparecem, melhoram ou pioram. Em pé, sentado, deitado, deitado sobre os lados;


• Observe os estímulos externos. O tocar, esfregar, apertar, a claridade, os barulhos, música, conversa, odores;


• Em relação às refeições, antes, durante, e após. Alimentos frios, quentes, engolir sólidos, líquidos, em seco. Desejos, aversões, e intolerância aos alimentos ácidos, gorduras, amido, sal, salgados, doces, açúcar, vegetais, leite, ovos, carne, queijos, cebolas, álcool, cervejas, vinhos, café, chá, drogas, etc...


• Em relação à sede, qual a quantidade, freqüência, temperatura dos líquidos para beber;


• Observe seu sono. Tem dificuldades para dormir ? Qual o tipo de sono? E o estado de humor, antes, durante, ao acordar, posição para dormir, sonhos, etc;


• Em relação à menstruação, quais sintomas aparecem antes, durante, e depois. Características da menstruação como aspecto, regularidade, duração, quantidade do fluxo, etc;


• Em relação à transpiração, quais os locais de transpiração, a temperatura do suor, os momentos em que transpira mais, a cor do suor, manchas na roupa, etc;


• Com relação à vida sexual, dificuldades, dores, realização;


• Com relação às eliminações, evacuações, micção, corrimentos. Observar a freqüência, o aspecto e dificuldades para eliminar.


Tente se lembrar dos sintomas na ordem cronológica dos acontecimentos.


Os sintomas mentais são de extrema importância na prescrição homeopática. Tente fazer um retrospecto de sua vida. Como foi sua infância, como era seu temperamento, suas inseguranças, ansiedades, medos. No relato de sua adolescência, são importantes suas eventuais alterações de temperamento nesta época.

Que momentos foram difíceis para você? A perda de alguém muito importante, uma mágoa, uma frustração.


O tratamento homeopático é contínuo. Quando você começa a tomar o remédio é preciso perceber as alterações de cada sintoma. É por isso que as consultas devem ser periódicas. Só assim seu médico poderá avaliar se seus sintomas estão seguindo o caminho correto de cura. Você pode fazer anotações sobre seu estado de saúde. Depois quando seu médico indagar sobre seus sintomas, você saberá responder com acerto.

Homeopatia uma dádiva da natureza

homeo3

"A menos que as leis da química tenham enlouquecido, a maioria dos remédios homeopáticos é demasiado diluída para ter qualquer efeito fisiológico...." -- Consumer Reports (Janeiro de 1987) A homeopatia clássica teve origem no século 19 com Samuel Christian Friedrich Hahnemann (1755-1843) como alternativa às práticas médicas convencionais da época, como a flebotomia ou sangria. Abrir veias para o paciente sangrar, expulsar a doença do corpo e restaurar os humores a um equilíbrio adequado era uma prática médica popular até o fim do século 19 (Williams 2000: 265). Hahnemann rejeitou a idéia de que a doença deveria ser tratada expulsando o material ofensivo que a causava. Em vez disso, argumentava que doença deveria ser tratada ajudando-se a força vital a restaurar a harmonia e o equilíbrio do organismo. Rejeitava outras práticas médicas comuns em sua época como purgantes e eméticos "com ópio e calomelano feito com mercúrio" (ibid.: 145).

Em retrospectiva, a medicina alternativa de Hahnemann era mais humana e tinha menor probabilidade de provocar danos que muitas das práticas convencionais da época. A medicina científica estava se desenvolvendo nos tempos de Hahnemann, mas a homeopatia não iria fazer parte desse desenvolvimento. A medicina científica é essencialmente materialista. Baseia-se em disciplinas como anatomia, fisiologia e química. Embora os métodos de Hahnemann envolvessem a observação empírica, sua teoria sobre doença e cura é essencialmente não-empírica, e envolve o apelo a entidades e processos metafísicos.


Hahnemann divulgou suas idéias sobre doenças e tratamentos no Organon da Medicina Homeopática (1810) e em Teoria das Doenças Crônicas (1821). O termo 'homeopatia' é derivado de duas palavras gregas: homeo (semelhante) e pathos (sofrimento). Hahnemann tinha a intenção de contrastar seu método com a convenção da época de tentar equilibrar os "humores" tratando um distúrbio com o seu oposto (allos), e referia-se à prática convencional como alopatia. Embora a medicina científica moderna não conserve nada que lembre a teoria do equilíbrio dos humores, os homeopatas modernos e outros defensores da medicina "alternativa" chamam enganosamente os médicos convencionais de hoje de alopatas (Jarvis 1994).


A homeopatia clássica é geralmente definida como um sistema de tratamento médico baseado no uso de diminutas quantidades de remédios que, em grandes dosagens, produzem efeitos semelhante aos da doença que está sendo tratada. Hahnemann acreditava que doses bem pequenas de um medicamento poderiam ter efeitos curativos poderosos porque sua potência poderia ser afetada por uma agitação vigorosa e metódica (sucussão). Hahnemann chamava esse suposto aumento da potência através da agitação vigorosa de dinamização. Pensava que a sucussão poderia liberar "poderes imateriais e espirituais," tornando assim as substâncias mais ativas. "Alegava-se que bater de encontro a uma almofada de couro ou à palma da mão dobraria a diluição" (ibid.).


A dinamização era para Hahnemann o processo de liberação de uma energia que ele considerava essencialmente imaterial e espiritual. Com o passar do tempo, ficou cada vez mais impressionado com o poder da técnica que tinha descoberto, e fez advertências alarmantes sobre os perigos de se dinamizar remédios excessivamente. Isso poderia ter conseqüências graves ou mesmo fatais, e ele aconselhava os homeopatas a não carregar remédios nos bolsos dos coletes para evitar que inadvertidamente os tonassem excessivamente poderosos. Finalmente, chegou a alegar que não havia sequer a necessidade de que os pacientes engolissem os medicamentos. Seria suficiente que os cheirassem. (Campbell)


São usadas comumente duas escalas de potência: a decimal, que cresce em passos de 1:10, e a centesimal (1:100). Partindo-se da "tintura mãe" original (no caso de uma planta é um extrato alcoólico), faz-se uma diluição de 1:10 ou 1:100. Esta sofre sucussão e a solução resultante é chamada de primeira potência. Ela agora serve como ponto de partida para o próximo passo da diluição e sucussão, que resulta na segunda potência, e assim por diante. As potências de 1:10 são geralmente indicadas como x e as de 1:100 como c. Assim, Pulsatilla 6c significa a sexta potência centesimal de Pulsatilla, que recebeu seis sucussões e tem uma concentração de uma parte em um trilhão. (Campbell)


Como a maioria de seus contemporâneos, Hahnemann acreditava que a saúde era uma questão de equilíbrio e harmonia, mas para ele era a força vital, o espírito contido no corpo, que produziam o balanceamento e a harmonização, ou seja, a cura.


Hahnemann afirmava que a maioria das doenças crônicas era causada pelos miasmas, e que o pior deles era a 'psora'. As evidências em apoio da teoria dos miasmas, no então, são completamente inexistentes e ela parece ter sido resultado de algum tipo de revelação divina (Campbell). A palavra 'miasma'


vem do grego e significa algo como "mácula" ou "contaminação". Hahnemann supunha que as doenças crônicas resultavam da invasão do corpo por um dos miasmas através da pele. O primeiro sinal da doença é, portanto, sempre algum tipo de problema na pele (Campbell).


Seu método de tratamento poderia parecer bem moderno. Encontrar a droga certa para a doença. No entanto, seus remédios não eram elaborados para ajudar o organismo a combater a infecção ou a reconstruir tecidos, mas sim para ajudar o espírito vital a operar sua magia. De fato, Hahnemann acreditava que era "inerentemente impossível conhecer a natureza interior dos processos das doenças e que portanto seria inútil especular sobre elas ou embasar tratamentos em teorias" (Campbell). Seus remédios eram determinados pelos sintomas dos pacientes, não pela suposta doença que causava esses sintomas.


"leis" homeopáticas


Os homeopatas citam a "Lei dos Infinitesimais" e a "Lei dos Semelhantes" como a base para o uso de substâncias mínimas e para a crença de que semelhante cura semelhante, mas essas não são leis naturais da ciência. Se é que são leis, são leis metafísicas, isto é, crenças a respeito da natureza da realidade que seriam impossíveis de se testar por meios empíricos. As idéias de Hahnemann realmente tiveram origem em experiências. O fato de que ele tenha chegado a conclusões metafísicas a partir de eventos empíricos não torna, no entanto, essas idéias empiricamente testáveis. A lei dos infinitesimais parece ter sido parcialmente derivada de sua idéia de que qualquer remédio faria com que o paciente piorasse antes de melhorar, e que seria possível minimizar significativamente esse efeito negativo reduzindo-se a dosagem. A maioria dos críticos da homeopatia rejeita essa "lei" porque ela conduz a remédios tão diluídos que não possuem sequer uma única molécula da substância com a qual se começou.


Hahnemann chegou à sua Lei dos Semelhantes em 1790, ao traduzir o Materia Medica, de William Cullen, para o alemão (Loudon 1997: 94). Começou a experimentar várias substâncias em si mesmo, começando com a cinchona.


Diariamente, por vários dias, escreveu, ele tomou quatro oitavas da droga. A cada vez que repetia a dose, seus pés e pontas dos dedos se tornavam frios, e seguiam-se outros sintomas típicos da malária. A cada vez que parava de tomar a cinchona, retornava rapidamente a um estado de boa saúde (Williams 1981: 184)


Hahnemann experimentou diversas drogas em si mesmo por muitos anos, e concluiu que "um médico deveria usar apenas aqueles remédios que têm o poder de criar, num organismo sadio, sintomas semelhantes aos que poderiam ser observados na pessoa doente sendo tratada (ibid.)." Remédios devem ser administrados em dosagens únicas, ele afirmava, não em misturas complexas. Suas conclusões parecem ter sido baseadas em intuição ou revelação. Ele não fez experiências com os pacientes dando a eles drogas para descobrir quais remédios funcionavam com quais doenças, ou descobrir que apenas substâncias sem misturas eram eficazes. Na verdade, ele não podia fazer experiências com pessoas doentes porque assumia que os remédios tinham que produzir um efeito similar ao da doença, e ele nunca seria capaz de saber que remédios deveria usar porque os sintomas da doença seriam difíceis de distinguir dos do remédio numa pessoa doente. Em vez disso, assumiu que o que quer que causasse os sintomas numa pessoa sadia seria um remédio para a doença que tivesse sintomas semelhantes.


Hahnemann chamava esse método de descobrir que sintomas uma droga causava numa pessoa saudável de "prova".


Hahnemann não nos deixou nenhum detalhe sobre as doses que usou ou a forma de administrar as drogas, mas através de comentários casuais dispersos em seus escritos e a partir de relatos de seus poderes temos uma idéia bastante razoável do que acontecia. Todas as provas naquela época eram conduzidas com tinturas (extratos) de ervas ou, no caso de substâncias insolúveis, com 'primeiras triturações' (uma parte da substância triturada com nove partes de açúcar ou leite)....


Sua prática usual parece ter sido administrar doses repetidamente até que se produzisse algum efeito. A quantidade real era calculada com base na sua própria experiência anterior. Esperava-se dos provadores que registrassem seus sintomas com o máximo cuidado, e ao apresentarem seus cadernos de notas a Hahnemann, tinham de oferecer-lhe as mãos -- o modo costumeiro de fazer um juramento nas universidades alemãs da época -- e jurar que o haviam relatado era a verdade. Hahnemann então os questionaria detalhadamente sobre os sintomas, a fim de levantar os detalhes de tempos, fatores que os fizeram melhorar ou piorar, e assim por diante. Café, chá, vinho, brandy e temperos eram proibidos aos provadores, assim como o jogo de xadrez (que Hahnemann considerava muito excitante), mas a cerveja era permitida e exercícios moderados eram incentivados. (Campbell)


Trabalhando com o princípio das semelhanças, Hahnemann criou remédios para diversos distúrbios que tinham sintomas similares aos das substâncias que seus provadores tinham tomado. No entanto, ".... os métodos de prova são altamente personalizados e de relevância individual para o homeopata ou experimentador." * Em outras palavras, cem homeopatas preparando um remédio para um paciente poderiam muito bem chegar a cem diferentes remédios farmacêuticos.


Hahnemann pode ser elogiado por testar empiricamente seus remédios, mas seu método de teste é obviamente deficiente. Ele não estava realmente testando a eficácia dos remédios em pessoas doentes, mas sim seus efeitos em pessoas sadias. Em todo caso, teve de confiar nas avaliações subjetivas de seus provadores, todos eles seus discípulos ou membros da família, e todos os quais foram interrogados pelo próprio mestre. (Investigadores posteriores viriam a usar métodos de prova mais controlados. *) Mas mesmo se seus dados não fossem maculados pela possibilidade de que ele tivesse sugerido os sintomas aos provadores, ou que estes relatassem sintomas a fim de impressionar ou conquistar a aprovação do mestre, o que conecta essa lista de sintomas à cura de uma doença com sintomas semelhantes é uma crença em magia. Em lógica, esse tipo de salto na linha de raciocínio é chamado de non sequitur. Não se segue do fato que a droga A produza sintomas semelhantes à doença B que tomar A aliviará os sintomas de B. No entanto, os homeopatas aceitam a satisfação dos clientes com A como prova de que A funciona.


Há alguns indícios de que Hahnemann não tenha usado pacientes saudáveis para provar nenhum dos remédios que recomendava para a maioria das doenças: enxofre, tinta de polvo, sal e areia.


O que parece ter acontecido é que Hahnemann baseou suas novas provas, em grande parte, em sintomas que teriam sido apresentados por seus pacientes crônicos. Por suas próprias regras, esse procedimento seria inadmissível, e de fato isso o levou, sem dúvida, a atribuir ao efeito dos remédios numerosos sintomas que se deviam na verdade às doenças das quais os pacientes sofriam. (Campbell)


Embora possamos perdoar Hahnemann por não fazer experimentos adequadamente controlados, não devemos ser tão generosos com os homeopatas modernos por não compreenderem a natureza de evidências baseadas em testemunhos e relatos. Não podemos acusá-los de não executar nenhum experimento controlado projetado adequadamente. Mas podemos culpá-los por não compreenderem alguns dos princípios fundamentais da avaliação de resultados de experiências controladas que envolvem administrar drogas ou mesmo substâncias inertes a seres humanos.


Os homeopatas de hoje deveriam saber que, devido à complexidade de cada organismo humano individual, cinqüenta pessoas diferentes podem reagir de cinqüenta maneiras diferentes à mesma substância. Isso torna o ato de fazer testes clínicos de medicamentos em potencial um procedimento que raramente deveria reivindicar ter conseguido resultados impressionantes com base em um único conjunto de testes. A descoberta de uma diferença estatisticamente significativa, positiva ou negativa, entre um grupo experimental (terapia com drogas) e um grupo de controle em um único teste de uma droga deveria normalmente ser tratada com precaução. Assim como a não descoberta de nada estatisticamente significativo. Não é incomum que vinte testes de uma droga resultem em vários com resultado positivo, vários com negativo e vários com resultados mistos e inconclusivos.


Assim mesmo, apesar do fato de que entre as centenas de estudos realizados com remédios homeopáticos a grande maioria não tenha encontrado nenhum valor neles, alguns dos defensores da homeopatia não só insistem que os remédios funcionam, mas alegam saber como funcionam. Parece, no entanto, que cientistas como Jacques Benveniste, que alega saber como a homeopatia funciona, colocaram o carro na frente dos bois. Benveniste alega ter provado que os remédios homeopáticos funcionam alterando a estrutura da água, permitindo assim que ela retenha uma "lembrança" da estrutura da substância homeopática que foi diluída até deixar de existir (Nature Vol. 333, No. 6176, pp. 816-818, 30 de junho de 1988).* (Benveniste chega a afirmar que a atividade biológica de uma solução homeopática pode ser gravada digitalmente, armazenada num disco rígido, enviada pela Internet e transferida para a água no local de destino. Ele era um biólogo bem sucedido que trabalhava num laboratório estatal, até que começou a fazer afirmações desse tipo, o que lhe custou o status e a reputação de cientista respeitável. Atualmente é considerado pelos críticos (como James Randi) um segundo Blondlot. Como os remédios homeopáticos não funcionam, não existe a necessidade de uma teoria de como funcionam. O que é preciso é uma explicação para a razão de haver tantas pessoas satisfeitas com seus homeopatas, apesar de todas as evidências de que os remédios homeopáticos sejam ineficazes.


Por que alguém acredita que a homeopatia funciona?


Antes de tentarmos explicar por que tantas pessoas acreditam que a homeopatia funciona, defendamos primeiro a afirmação de que os remédios homeopatas são ineficazes. Há várias revisões de diversos estudos sobre a eficácia de tratamentos homeopáticos e nem sequer uma dessas revisões conclui que existam boas evidências de que qualquer remédio homeopático (RH) seja eficaz. Os homeopatas tiveram mais de 200 anos para demonstrar a eficácia do seu produto e fracassaram na tarefa. Certamente existem estudos isolados que descobriram diferenças significativas entre grupos tratados com um RH e os grupos de controle, mas ou nunca era possível reproduzi-los, ou os estudos eram desqualificados pelas falhas metodológicas. Duzentos anos e ainda esperamos por provas! Ter a mente aberta é uma coisa; esperar eternamente por evidências tem mais a ver com submissão aos desejos.


Terence Hines fez uma revisão de revisões dos estudos homeopáticos (2003: 360-362). Foram revistos Taylor et al. (2000), Wagner (1997), Sampson e London (1995), Kleijen, Knipschild e ter Riet (1991), e Hill e Doyon (1990). Mais de uma centena de estudos não conseguiram chegar a nenhuma conclusão positiva definitiva sobre as poções homeopáticas. Ramey (2000) observa que A homeopatia foi assunto de pelo menos 12 revisões científicas, inclusive estudos meta-analíticos, publicados desde meados da década de 1980... [e] as conclusões são impressionantemente constantes.... "remédios" homeopáticos não são eficazes.
Assim mesmo, a homeopatia sempre terá seus defensores, a despeito da falta de provas de que seus remédios sejam eficazes. Por que? Uma das razões é o predomínio de uma compreensão equivocada das causas das doenças e como o corpo humano as encara. Hahnemann foi capaz de atrair seguidores porque parecia ser alguém que curava, em comparação com os que cortavam veias e usavam purgantes venenosos para equilibrar os humores. A maior parte de seus pacientes podem ter sobrevivido e se recuperado não porque ele os curou, mas porque não os infectou ou matou drenando um sangue de que precisavam ou enfraquecendo-os com venenos poderosos. Os remédios de Hahnemann eram, essencialmente, nada mais que líqüidos comuns e era pouco provável que eles, por si sós, fizessem mal. Ele não precisava que muitos de seus pacientes sobrevivessem e melhorassem para impressionar, em vista dos seus concorrentes. Se há algum efeito positivo sobre a saúde, não se deve ao remédio homeopático, que é inerte, mas aos próprios mecanismos curativos naturais do organismo ou à crença do paciente (efeito placebo), ou ao efeito que o estilo de atuação do homeopata tem sobre o paciente.


O stress pode piorar ou mesmo provocar doenças. Se um terapeuta tem um efeito calmante sobre o paciente, isso por si só pode resultar numa mudança significativa no sentimento de bem-estar da pessoa. E esse sentimento pode muito bem traduzir-se em efeitos fisiológicos benéficos. O método homeopático envolve passar muito tempo com cada paciente a fim de se obter uma lista completa de sintomas. É possível que isso tenha um efeito calmante significativo sobre alguns pacientes. Esse efeito poderia fortalecer os próprios mecanismos curativos do organismo em alguns casos. Como expõe o homeopata Anthony Campbell: "Uma consulta homeopática oferece ao paciente uma oportunidade de conversar longamente sobre seus problemas com um ouvinte atento e compreensivo num ambiente estruturado, e isso por si só é terapêutico." * Em outras palavras, a homeopatia é uma forma de psicoterapia.


.... a maioria dos homeopatas gosta de gastar pelo menos 45 minutos numa primeira consulta, e muitos preferem uma hora ou mais. Em segundo lugar, os pacientes sente que estão sendo tratados "como um indivíduo". Fazem a eles muitas perguntas sobre o que gostam e não gostam em matéria de comida, clima e coisas assim, muitas das quais não têm qualquer conexão óbvia com o problema que os levou à consulta. O homeopata, então, irá muito provavelmente consultar uma fonte de informação impressionantemente grande e imponente para ajudá-lo a escolher o "remédio" correto. (Campbell)


Sabemos que não há praticamente nenhuma evidência científica de que os remédios homeopáticos sejam eficazes. Isso não quer dizer que os pacientes não se sintam melhor depois de visitar um homeopata. Isso é outra questão, embora seja exatamente essa a razão de existirem clientes satisfeitos. (Sobre isso, o leitor poderia consultar os verbetes sobre o efeito placebo, a falácia post hoc e a falácia regressiva.)


Wendy Kaminer, crítica de diversos comportamentos irracionais, é um desses clientes satisfeitos. Mesmo assim, disse a seu homeopata que seu maior medo era "que alguém descobrisse que consultei um homeopata" (1999; p. 3), o que obviamente não é seu maior medo, ou ela não o teria anunciado ao mundo em seu livro.


Quando vou ao meu homeopata, talvez esteja seguindo uma das percepções do movimento de recuperação que eu sempre ridicularizei: Estou pensando com o coração e não com a cabeça. Ou talvez eu esteja agindo racionalmente afinal. Acreditar na homeopatia pode ser irracional, mas não usá-la se ela funciona seria ainda mais irracional. Só me importo se o remédio funciona, não por quê. (Tenho uma compreensão vaga sobre antibióticos).


Assim, não dou ouvidos a cientistas ávidos por me dizer que não é possível que os remédios homeopáticos funcionem porque violam as leis da química. Assumindo-se que os cientistas estejam certos, e que os remédios que eu tomei são meros placebos, por que iria eu começar a duvidar - e diminuir - sua eficácia? Por que não ser suscetível a placebos? (ibid.)


Neste caso, temos uma pessoa racional que deprecia o comportamento irracional e admite que faz uma coisa que muitas pessoas racionais considerariam irracional. É interessante como ela lidou com essa dissonância cognitiva. Ela tornou o irracional racional (ou ao menos menos irracional) concentrando-se na crença de que a homeopatia funciona. Mas sabemos que as poções não funcionam, então do que Kaminer está falando? Ela não está falando de estudos científicos que mostram que os remédios homeopáticos são eficazes, porque esses estudos apontam na direção contrária. De fato, ela não parece se preocupar nem mesmo se esses estudos existem. Ela quer dizer que acredita que "os remédios homeopáticos me ajudaram" (p. 4). Seu aviso ao leitor é não siga as minhas palavras, tente você mesmo, o que parece implicar que se formos a um homeopata e acharmos que isso nos ajudou, então seria irracional não continuar a visitá-lo. Mas o que realmente quer dizer ajuda ou ajudar? São palavras vazias. Não têm qualquer conteúdo cognitivo, embora sejam plenas de significado emotivo. A única concessão de Kaminer à idéia de que talvez esteja agindo irracionalmente é quando ela medita


.... talvez eu esteja imaginando que a homeopatia me ajudou. Talvez eu esteja confundindo correlação com causação: talvez eu tenha começado a me sentir melhor coincidentemente, por alguma razão desconhecida, ao mesmo tempo em que me voltei para a homeopatia (ibid., p. 4).


Ela nos aconselha a não seguir suas palavras e nos diz que devemos pedir que ela apresente provas do que afirma. Ela chega a nos aconselhar a tentar repetir sua experiência. Talvez seja essa a sua idéia do que uma pessoa racional e com mentalidade científica deveria fazer. Mas não há nenhuma forma de alguém substanciar sua alegação tentando duplicá-la. Não temos uma idéia clara o bastante da afirmação para sabermos o que estaríamos tentando substanciar. A alegação de que algo a ajudou é vaga demais para ser de qualquer valor na tentativa de duplicação. Será que ela está realmente dizendo que se eu for a um homeopata e me sentir melhor depois disso, então substanciei e dupliquei sua alegação? Acho que sim. E acho que ela está enganada.


Sim. Acho que entendo o que ela diz. Se eu, por exemplo, fui a um homeopata e descobri que sob o tratamento a dor nos meus joelhos desapareceu completamente, a dor que eu sinto há muitos anos e que meu médico diz que se deve à bursite, então eu seria irracional se não continuasse com os remédios homeopáticos. Além disso, seria irracional não consultar o homeopata quando eu começasse a sentir dor, digamos, nos cotovelos, ou nos ombros, ou nas costas. Se eu pudesse voltar a praticar corrida, seria irracional não continuar a ver meu homeopata. Eu poderia concordar. Mas se eu consultasse um homeopata a respeito de uma nova dor que meu médico foi incapaz de aliviar com uma terapia convencional e depois do tratamento homeopático a dor passasse, eu não consideraria irracional não continuar indo ao homeopata. Consideraria provável que a dor tivesse passado se eu não tivesse procurado o homeopata. (Se o leitor está imaginando por que, consulte o verbete sobre a falácia regressiva.)


Além do mais, se um remédio homeopático realmente curasse minha dor no joelho, eu iria querer investigar o que havia no remédio. Embora a maioria dos remédios homeopáticos nos EUA e Reino Unido não sejam mais que água ou álcool, há vários produtos no mercado rotulados como homeopáticos que contêm ingredientes ativos (veja homeopatia complexa, isopatia, e nosódios). No entanto, se eu descobrisse que o meu remédio era um daqueles tão diluídos tantas e tantas vezes que não restaria nenhuma molécula da substância ativa original, eu preferiria acreditar que a dor teria repentinamente desaparecido do que acreditar que o remédio homeopático a teria curado. Por que? Porque as leis conhecidas da física e química teriam de ser completamente reescritas se um tônico do qual foram removidas quase todas as moléculas do ingrediente ativo pudesse se demonstrar eficaz. Mas se eu pudesse fazer a dor ir e vir parando e recomeçando a tomar o remédio homeopático, teria de concluir que a poção estava fazendo efeito e teria de me tornar um defensor daquele remédio homeopático. Isso significa dizer que os remédios homeopáticos podem ser testados empiricamente. O fato de que nenhum desses remédios tenha até agora demonstrado fazer o efeito que descrevi é forte evidência contra eles.


Embora os remédios homeopáticos sejam ineficazes, a homeopatia em si é bastante eficaz, ou não teria sobrevivido e crescido nos últimos 200 anos. Ela é muito popular na Europa, especialmente na família real da Grã Bretanha. Há escolas de homeopatia em todo o mundo. Afirma-se que a homeopatia é uma indústria de 200 milhões de dólares por ano nos EUA. "O fato de que ela seja tachada de não-científica por alguns médicos ortodoxos é, para muitas pessoas, um mérito positivo, não uma crítica" (Campbell).


O principal dano causado pela homeopatia clássica provavelmente não vem de seus remédios, que são provavelmente seguros, mas ineficazes, embora isso esteja mudando à medida em que a homeopatia se torna indistinguível do herbalismo em alguns lugares. Um dos perigos em potencial é o incentivo ao auto-diagnóstico e tratamento. Outro perigo reside na atitude de não se receber tratamento adequado de um médico convencional nos casos em que o paciente poderia ser beneficiado por um tratamento como esse, como numa infecção de bexiga ou infecção por fungos, ou num câncer. A homeopatia poderia funcionar no sentido de ajudar algumas pessoas se sentirem melhor algumas vezes. Ela não funciona, porém, no sentido de explicar patologias ou suas curas numa forma que não só tenha conformidade com os dados, mas que prometa nos trazer uma maior compreensão da natureza da saúde e da doença.

Igual curando o igual

homeo2

Homeopatia (do grego homoios, semelhante + pathos, doença) é um termo criado por Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843) que designa um método terapêutico cujo princípio está baseado na similia similibus curantur ("os semelhantes curam-se pelos semelhantes"). É importante salientar que a homeopatia é comumente confundida com a fitoterapia ou com uma medicina mais natural, com relação aos produtos usados em suas formulações - o que não é verdade. O tratamento homeopático consiste em fornecer a um paciente sintomático doses extremamente pequenas dos agentes que produzem os mesmos sintomas em pessoas saudáveis, quando expostas a quantidades maiores.

A droga homeopática é preparada em um processo chamado dinamização, consistindo na diluição e sucussão da substância em uma série de passos.  Os altos níveis de diluição (variando de acordo com o medicamento), aliados ao grande número de estudos científicos com resultados negativos, fazem com que haja bastante controvérsia em torno do funcionamento da Homeopatia - ver argumentos.

Hipócrates


É dito que os princípios gerais da homeopatia foram enunciados por Hipócrates há cerca de 2500 anos. Segundo Albert Lyons, podemos resumir os princípios do método hipocrático em quatro pontos:

• Observar. Para Hipócrates, grande parte da arte médica consiste na capacidade de observação do médico. A observação deve ser feita sem nenhum tipo de preconceito ou julgamento, estando o prático aberto aos relatos explícitos e implícitos do paciente.

• Estudar o doente, e não a doença. Este princípio, proposto no Ocidente pela primeira vez no tempo de Hipócrates, assentou as bases da holística, estabelecendo que na compreensão do processo saúde/enfermidade não se divide a pessoa em sistemas ou órgãos, devendo-se avaliar a totalidade sintética do indivíduo. Este ponto é essencial no entendimento das históricas divergências entre as escolas de Cós (cujo expoente principal é o próprio Hipócrates) e de Cnido. Esta última pregava a especialização, a impessoalidade, o organicismo e a classificação das doenças.

• Avaliar honestamente. Dá-se importância à leitura prognóstica dos problemas da pessoa.

• Ajudar a natureza. A função precípua do médico é auxiliar as forças naturais do corpo para conseguir a harmonia, isto é, a saúde.

Esses princípios guardam evidente semelhança com as conclusões de Samuel Hahnemann no século XVIII, como veremos adiante.

Hipócrates foi também o primeiro a descrever as duas maneiras principais de se abordar a terapêutica:

• Similia similibus curantur. Semelhantes são curados por semelhantes, base terapêutica da homeopatia.

• Contraria contrariis curantur. Contrários são curados por contrários. Princípio seguido por Galeno que estabeleceu as bases da alopatia.

A visão integradora de Hipócrates permeia toda a sua obra, cujos textos mais conhecidos são Aforismos e Juramento. A saúde, para ele, é resultado da harmonia entre os quatro humores presentes no corpo e da interação da pessoa com o meio. Higiene, dieta, exercícios físicos, clima e outras circunstâncias são levadas em consideração na avaliação da saúde. O adoecimento obedece a três estágios facilmente reconhecíveis por um observador atento: degeneração (desequilíbrio) dos humores, cocção e crise. Não dá importância à classificação das doenças, levando muito mais em conta a pessoa e seu contexto. Na terapêutica é parco no uso de medicamentos, interferindo somente nos momentos considerados necessários, quando a natureza o indicar. Ficou muito conhecido no seu tempo por sua honestidade científica e na relação com os pacientes e seus familiares, insistindo na necessidade de se trabalhar com a verdade e de se fazer a leitura do prognóstico do estado de saúde. Estabeleceu as bases da ética nas relações entre médicos, entre médico e discípulos e entre médicos e pacientes.


De Hipócrates a Paracelso


Os séculos seguintes apresentaram preponderância crescente das crenças de Cnidos e das práticas de Galeno, chegando ao dogmatismo. O establishment da Antigüidade e, posteriormente, da Idade Média, não permitia qualquer tipo de oposição às idéias galênicas que reinaram quase absolutas por quinze séculos. Galeno ficou conhecido por seus preparados farmacêuticos que incluíam várias substâncias em cada um deles. Sua teriaga, uma de tantas misturas preparadas, chegou a ter mais de setenta ingredientes em sua composição até a época de sua morte. Na Idade Média o preparado já continha mais de cem substâncias, sendo usado como antídoto universal. Até o final do Século XIX a teriaga estava registrada nas farmacopéias oficiais de vários países europeus.


Paracelso


Um dos maiores críticos de Galeno, e, não casualmente, devoto de Hipócrates, foi Paracelso (1491 – 1541). Dotado de um espírito questionador, iconoclasta e revolucionário, esse médico e alquimista, nascido em Zurique, abalou as estruturas acadêmicas de sua época, questionando os clássicos e afirmando a necessidade de se realizarem experiências e observações próprias para o conhecimento da ciência. A medicina paracelsista é um retorno à filosofia da natureza, ao holismo. Ele vê a pessoa submetida às mesmas leis e princípios que governam o universo; em suas palavras: “Assim como é em cima, é em baixo”. Para ele, a saúde é resultante da harmonia entre o homem (microcosmo) e o Universo (macrocosmo). Paracelso aceita o princípio da cura pelo semelhante e prescreve: “Scorpio escorpionem curat”.


Samuel Hahnemann


No Século XVIII, Samuel Hahnemann (1755-1843) nasce na Alemanha e inicia sua prática médica em 1779 em um ambiente em que imperava a falácia médicaica. Naquela época, sangrias, eméticos e purgantes eram receitados sem nenhum resguardo. Os médicos julgavam-se autoridades máximas, acima da natureza, e não duvidavam de seus métodos mesmo diante de desastrosas evidências do dano que causavam.

Hahnemann frustra-se profundamente com a prática médica e decide abandoná-la em 1789. Um de seus escritos reflete a angústia e o desânimo que pousaram sobre ele naquela época: “converter-me em assassino de meus irmãos era para mim um pensamento tão terrível que renunciei à prática para não me expor mais a continuar prejudicando”. Essa postura mostra sintonia com a máxima hipocrática: “Primo nil nocere”, ou seja, primeiramente não prejudicar.

Ele era um poliglota, consta que conhecia grego, latim, hebraico, árabe, caldeu, alemão, inglês, francês, italiano, espanhol, entre outras línguas. O conhecimento desses idiomas é decisivo no futuro de Hahnemann, pois, havendo abandonado a prática médica, começa a sobreviver realizando trabalhos de tradução. Traduz, sobretudo, obras médicas e científicas, retomando estudos de antigos mestres como Hipócrates, Paracelso, Jan Baptista van Helmont, Thomas Sydenham, Boerhaave, Stahl e Albrecht von Haller.

A história registra sua personalidade prodigiosa, dotada de uma ímpar capacidade de observação e de agudo senso crítico. Foi quando trabalhava na tradução da Materia Medica de Cullen, em 1790, que um fato descrito por aquele autor chamou sua atenção. A Cinchona officinalis (quinina ou simplesmente quina) era usada na Europa, proveniente do Peru, para o tratamento do paludismo. Segundo explicações do autor do livro, a Cinchona atuaria fortalecendo o estômago e produzindo uma substância contrária à febre. Movido por curiosidade e intuição científicas, Hahnemann decide provar, nele mesmo, o medicamento. Observou em si o aparecimento de sintomas semelhantes ao das crises febris da malária (esfriamento das extremidades, rubor facial, sonolência, prostração, pulsações na cabeça) ao ingerir a quina e seu desaparecimento ao cessar o uso. Repetiu várias vezes o experimento com a quinina e depois continuou fazendo provas com beladona, mercúrio, digital, ópio, arsênico e outros medicamentos. Inspirado pela obra de von Haller, que preconizava o estudo do medicamento na pessoa saudável, antes de ser ministrada ao doente, inclui seus parentes nas experiências, observa e anota pormenorizadamente os resultados.

Depois de seis anos de pesquisas intensas, Hahnemann dá à luz um “Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicamentosas, seguido de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na época atual.” É assim que o ano de 1796 entra para a História da medicina como o ano de sistematização dos conhecimentos homeopáticos (para alguns o “nascimento” da homeopatia). Como vimos acima, os princípios já haviam sido enunciados por outros médicos anteriormente, mas é Hahnemann quem dá um corpo único, coerente, sintético, com fundamentos nitidamente compreensíveis à homeopatia. É curioso mencionar que foi ele quem cunhou os termos homeopatia (à qual também se referia como Arte de Curar) e alopatia (prática abusiva, agressiva e pouco eficaz).

A partir de 1801 Hahnemann começa a usar medicamentos dinamizados (técnica própria da homeopatia que visa ao desenvolvimento da força medicamentosa latente na substância e que consiste em submeter a droga a diluições e sucussões sucessivas) e observa que isso dá mais potência ao medicamento. Em 1810 publica sua obra fundamental, “Organon da Medicina Racional”, mais tarde, “Organon da Arte de Curar”. Em vida, chega a publicar cinco edições do Organon. A sexta e definitiva edição vai para o prelo post mortem, em 1921.


Princípios da prática homeopática


Além da visão holística impressa em toda a obra de Hahnemann, ou seja, a visão do todo sobre as partes, há quatro princípios que orientam a prática homeopática, quais sejam:

• Lei dos Semelhantes. Resultado de suas releituras dos Clássicos e, sobretudo, de suas próprias experiências, anuncia esta Lei universal da cura: similia similibus curantur. Exemplificando, um medicamento capaz de provocar, em uma pessoa sadia, angústia existencial que melhora após diarréia e febre, curará uma pessoa cuja doença natural apresente essas características.

• Experimentação na pessoa sadia. A fim de conhecerem as potencialidades terapêuticas dos medicamentos, os homeopatas realizam provas, chamadas patogenesias; em geral são eles mesmos os experimentadores. Tipicamente não se fazem experiências com animais. Uma condição básica para a escolha dos provandos é que sejam saudáveis. Esses medicamentos são capazes de alterar o estado de saúde da pessoa saudável e justamente o que se busca é os efeitos puros dessas substâncias. A experimentação homeopática é completamente segura, uma vez que, simplesmente, a "medicação" é água diluída com água.

• Doses infinitesimais. A preparação homeopática dos medicamentos segue uma técnica própria que consiste em diluições infinitesimais seguidas de sucussões rítmicas. Essa técnica “desperta” as propriedades latentes da substância. Toma-se o cuidado de prescrever a menor dose possível, porquanto o poder do medicamento homeopaticamente preparado é grande e há pessoas sensíveis a ele.

• Medicamento único. A homeopatia é uma ciência muito criteriosa em sua prática. Primeiro o homeopata avalia se a natureza individual está a “pedir” intervenção com medicamento, pois esse é um dos meios que o médico tem para auxiliar a pessoa e não o único. Sendo o caso, usa-se um medicamento por vez, levando-se em conta a totalidade sintomática do paciente. Só assim é possível ver seus efeitos, a resposta terapêutica e avaliar sua eficiência ou não. Após a primeira prescrição é que se pode fazer a leitura prognóstica, ver se é necessário repetir a dose, modificar o medicamento ou aguardar a evolução.

É surpreendente que Hahnemann tenha enunciado os princípios da homeopatia no final do século XVIII, somente como resultado da observação, pois só no século XX (principalmente na segunda metade) é que a expressão integral desse preceito começou a ser notada pelos cientistas contemporâneos, com destaques para as pesquisas de George Vithoulkas, Masaru Emoto, Jacques Benveniste, Fritjof Capra, C.G.Jung, Lovelock, Lynn Margulis, Gregory Bateson, Humberto Maturana, Lorenz, Bohr dentre vários outros. É evidente que esta pequena lista mostra cientistas de ramos muito diferentes e que a relação de suas pesquisas com a homeopatia pode não ser direta. Mas todos têm algo muito forte em comum: a ruptura com a visão cartesiana-positivista de parte substancial da ciência ocidental.

Depois de Hahnemann, a homeopatia expandiu-se por boa parte do mundo. Mas a expansão não foi linear, tendo seu desenvolvimento e sua aceitação atingido diferentes níveis nas várias regiões do mundo. Por exemplo, na Índia e no Brasil a homeopatia faz parte das políticas oficiais de saúde. Já na Argentina está banida das políticas públicas, chegando a ser praticamente proibida em algumas províncias.


Escolas da homeopatia


• Unicismo - Prescrição de um único medicamento, igualmente a Hahnemann.

• Pluralismo - É chamado também de alternismo, dois medicamentos administrados em horas distintas, um complementando o outro.

• Complexismo - São prescritos dois ou mais medicamentos que podem ser administrados simultâneamente. A indústria produz em larga escala medicamentos ditos complexos, que tem objetivos de tratar doenças particulares, não considerando a lei dos semelhantes.


• Organicismo - O medicamento é prescrito conforme o órgão doente. Esta prática aproxima-se muito da alopatia.


Quadro de dinamizações


Potência Diluição Concentração Expoentes
1ª dinamização centesimal hahnemanniana = 1CH 1/100 1 para 100 10-2
2ª dinamização centesimal hahnemanniana = 2CH 1/10000 0,01 para 100 10-4
3ª dinamização centesimal hahnemanniana = 3CH 1/1000000 0,0001 para 100 10-6
4ª dinamização centesimal hahnemanniana = 4CH 1/100000000 0,000001 para 100 10-8
12ª dinamização centesimal hahnemanniana = 12CH 1/1 x 1023 0,(21 zeros) para 100 10-24


Os medicamentos homeopáticos


Para uma lista não exaustiva de medicamentos homeopáticos, veja Lista de remédios homeopáticos.


Argumentos a favor da homeopatia


A homeopatia tem uma visão integrada do ser humano, vendo-o como um todo onde corpo e psique são indissociáveis. Neste aspecto aproxima-se das medicinas clássicas orientais e do que viria a formar, no século XX, o pensamento sistêmico.


Homeopatia na Saúde Pública


Estudos da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH), no Brasil (Soares Iracy Aparecida Ansaloni et al. Programa de Atendimento em Homeopatia, Acupuntura e Medicina Antroposófica na Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, 2002), mostram resultados muito positivos em favor da homeopatia, quando comparada à alopatia na Atenção Primária de Saude. Menor índice de encaminhamentos e menor número de exames complementares estão a explicitar maior resolução dos problemas. Os custos do tratamento para o Sistema Único de Saúde são também sensivelmente menores. Assim sendo, a PBH ampliou o acesso gratuito da população de Belo Horizonte aos serviços de homeopatia, criando o PROHAMA e colocando médicos homeopatas nas Unidades de Saúde do Município, à par dos alopatas.

Uma pesquisa para dissertação de mestrado da Universidade Federal de Minas Gerais (Novaes Thaís C. Percepções do Paciente Usuário dos Serviços Homeopáticos do Sistema Único de Saúde em Belo Horizonte – Estudo de Caso no Centro de Saúde Santa Terezinha (dissertação de mestrado do Curso de Pós-Graduação em Saúde Pública). Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2003.)) apontou a percepção que tinham da homeopatia os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) quando comparada com a alopatia. Os resultados foram positivos para a homeopatia, o que explicaria a enorme demanda por homeopatas no SUS do Brasil e as longas filas de espera por uma consulta.

Outra pequisa realizada em São Paulo, por Moreira Neto (2001)(Moreira Neto Gil. Homeopatia em Unidade Básica de Saúde: Um Espaço Possível. São Paulo: Associação Paulista de Homoepatia. Revista de Homeopatia 2001; 66(1): 5-26.) e publicada em revista aceita oficialmente pela CAPES, em Unidades Básicas de Saúde (UBS), confirmaram os estudos da Prefeitura de Belo Horizonte. Ele encontrou que os homeopatas daquele município encaminhavam 1 de cada 41 pacientes atendidos, sendo que solicitavam 1 exame complementar em cada 31,3 consultas realizadas, a um custo médio de R$ 0,50 por exame (valores da tabela do SUS de 1995).


Homeopatia e VIH / SIDA


Recente estudo da Fundação de Saúde do Distrito Federal, Brasil, está considerando a diferença na qualidade de vida dos pacientes com SIDA já desenvolvida e submetidos a tratamento homeopático, em relação àqueles que se submetem somente ao tratamento alopático. O estudo segue a metodologia do uso de placebo com distribuição tipo duplo-cego


Estudos controlados e experimentos clínicos


Dana Ullman, em seu livro de 1995, The Consumer's Guide to Homeopathy, devota um capítulo inteiro para "Evidências Científicas para a Medicina Homeopática". Ele cita um estudo de 1991, em que escreve:

Três professores de medicina dos Países Baixos, nenhum deles homeopatas, fizeram uma meta-análise de 25 anos de estudos clínicos usando medicamentos homeopatas e publicaram seus resultados no periódico British Medical Journal. Essa meta-análise cobriu 107 estudos controlados, dos quais 81 mostraram que medicamentos homeopáticos foram eficazes, 24 se mostraram ineficazes e 2 foram inconclusivos. Os professores concluiram, "A quantidade de resultados positivos veio como uma surpresa para nós".

Ainda sobre meta-análise, um dos últimos trabalhos do pesquisador Jacques Benveniste relacionados à homeopatia (Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? A meta-analysis of placebo-controlled trials. Lancet, Volume 350, Issue 9081, 20 September 1997, Pages 834-843 [1] -link somente acessível via computadores de Universidades) demonstra que, se comparados tratamentos homeopáticos com os placebo, há uma intrigante vantagem no primeiro tipo. Nesse trabalho, propos-se avaliar a eficácia de ambas alternativas revisando trabalhos da literatura, e a homeopatia pareceu se sair melhor. Em seguida, foram publicadas na mesma revista 2 críticas de céticos. Um deles levanta a questão de se estar comparando dois elementos não-comparáveis, uma vez que, por princípio, parece não haver diferença entre o medicamento homeopático e a água, e as diferenças observadas nesse estudo serem fruto do acaso (apesar do elevado número de casos avaliados). O outro levanta a questão de viéses na análise, uma vez que os pacientes apresentam diferenças entre si, de método de diagnóstico, entre os trabalhos analisados por Benveniste e colaboradores.


Críticas à homeopatia


Falta de indícios de eficácia terapêutica

Os defensores do paradigma cartesiano consideram a homeopatia como um resquício pseudocientífico dos tempos da alquimia. Os resultados iniciais atribuídos à homeopatia podem ser explicados como efeito placebo. Alega-se que os medicamentos homeopáticos foram cientificamente testados (no chamado estudo duplo cego, para controlar os efeitos placebos) várias vezes e alguns desses testes produziram resultados positivos. A maioria dos cientistas rapidamente atribuem isso a flutuações aleatórias, uma vez que os resultados quase não são mensuráveis, não podem ser reproduzidos de modo confiável e há uma grande quantidade de testes em que a homeopatia falha. Além disso, o modo básico como os testes são realizados leva uma pequena fração dos testes a produzirem falsos resultados positivos. Normalmente, isso é evitado por meios estatísticos, mas quando uma grande quantidade de testes são realizados, um ou dois produzirão resultado positivo por efeitos aleatórios.

Em agosto de 2005, a revista científica The Lancet publicou um artigo no qual cientistas afirmam que remédios homeopáticos têm propriedades terapêuticas similares às dos placebos. Os autores do artigo avaliaram 110 pesquisas sobre o tema.


Falta de consistência lógica


Uma outra crítica à homeopatia é que ela não é logicamente consistente.

A homeopatia assume que a água "memoriza" as propriedades químicas das moléculas que entram em contato com ela. Por essa técnica, dilui-se a solução original ao ponto de retirar todas as moléculas, ainda assim alega-se que a água retém algumas propriedades químicas dessas moléculas.

Não há nenhuma evidência científica que suporte esta tese.


Mau uso da ciência para alegação de mecanismos

Muitos defensores da homeopatia utilizam-se de conceitos errôneos de princípios físicos de difícil compreensão, como a física quântica, para justificar mecanismos de ação dos princípios ativos ultradiluidos, mas sem qualquer demonstração prática de que esses mecanismos teriam algum efeito biológico.


Pensamento mágico


Muitas pessoas aceitam a homeopatia devido ao pensamento mágico. Em Magical Thinking in Complementary and Alternative Medicine article[2] (Skeptical Inquirer journal, November–December, 2001) Dr. Phillips Stevens afirma:

A Homeopatia e outras terapias populares demonstram os princípio antigos e universais do pensamento mágico, que algumas pesquisas recentes sugerem serem fundamentais à cognição humana, sendo mesmo enraizados na neurobiologia. Muitos dos sistemas atuais de cura “complementares” ou “alternativos” envolvem crenças mágicas, manifestando modos de pensar baseados nos princípios de cosmologia e causalidade que são atemporais e absolutamente universais. Tão similares são esses princípios entre todas as populações humanas que alguns cientistas cognitivos sugerem que eles são inatos na espécie humana e essa sugestão tem sido fortalecida pela pesquisa científica corrente. [...] Alguns dos princípios das crenças mágicas acima descritas são evidentes nos sistemas atuais de crenças populares. Um exemplo claro é a Homeopatia. Falácias das alegações homeopáticas foram discutidas por muitos, incluindo Barrett (1987) e Gardner (1989) neste periódico; mas é curioso que esse sistema de cura não foi mais amplamente reconhecido como baseado no pensamento mágico. O princípio fundamental de seu criador, Samuel Hahnemann (1755–1843), similia similibus curentur (“o semelhante cura o semelhante”), é uma expressão explítica de um princípio mágico.


A superdiluição


Alguns cientistas acreditam que diluir substâncias tanto quanto é feito na Homeopatia diminui drasticamente o efeito que a substância em questão possua.

Robert L. Park, professor de Física e diretor do escritório de Washington da American Physical Society, escreve em seu livro Voodoo Science: The Road from Foolishness to Fraud:

[Samuel] Hahnemann [o “inventor” no século 18/19 da Homeopatia] utilizou um processo de diluições seqüenciais para preparar seus medicamentos. Ele diluía um extrato de certas ervas e minerais “naturais”, na proporção de uma parte de medicamente para dez partes de água, ou 1:10, agitava a solução e, então, diluía por outro fator de dez, resultando ao final em uma diluição de 1:100. Uma terceira repetição do processo produzia 1:1.000 e assim por diante. Cada diluição subseqüente adicionaria outro zero à direita. Ele repetia o processo várias vezes. Diluições extremas são rapidamente obtidas por esse método. O limite de diluição é alcançado quando sobra apenas uma molécula do medicamento. Além desse ponto, não sobra nada a se diluir. Em um sem número de medicamentos homeopáticos, por exemplo, a diluição de 30X é basicamente o padrão. A notação 30X significa que a substância foi diluída em uma parte em dez e agitada e o processo, então, repetido seqüencialmente trinta vezes. A diluição final é de uma parte de medicamento em 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 partes de água. Isso está além do limite de diluição. Para ser exato, em uma diluição de 30X seria necessário se beber 7.874 galões [30 m³ ou 30.000 litros] da solução para se esperar encontrar apenas uma única molécula de medicamento. Comparado a muitas preparações homeopáticas, mesmo 30X é concentrado. Oscillococcinum, o remédio homeopático padrão para a gripe, é produzido a partir de fígado de pato, mas o seu uso generalizado na Homeopatia cria pouco risco à população de patos — a diluição padrões é de estonteantes 200C. O C significa que o extrato é diluído em uma parte em cem e agitado, repetindo-se duas centenas de vezes. Isso resultaria em uma diluição de uma molécula de extrato para cada 10400 moléculas de água — isto é, 1 seguido de 400 zeros. Mas há apenas 1080 (1 seguido de 80 zeros) átomos em todo o universo. A diluição de 200C está muito, muito além do limite de diluição de todo o universo visível!

Uma das questões que se coloca é: como os homeopatas chegaram a estes números, como o 30X ou 200C? Foram feitas avaliações científicas, para verificar se não seria melhor 29X, ou 31X, 199C, ou 201C?

Park destaca que Hahnemann provavelmente não estava ciente do limite da ultradiluição porque ele desconhecia o número de Avogadro, uma constante física que torna possível calcular o número de moléculas em uma amostra com uma certa massa de uma substância.

Park explica o sucesso que a Homeopatia teve no início comparando com o uso à época de tratamentos verdadeiramente perigosos: “Os médicos ainda tratavam os pacientes com sangria, lavagens e freqüentes doses de mercúrio e outras substâncias tóxicas. Se o nostrum infinitamente diluído de Hahnemann não faziam nenhum bem, ao menos não faziam nenhum mal, permitindo as defesas naturais do paciente corrigirem o problema.”

Park explica ainda como os modernos homeopatas concordam que realmente não há nenhuma molécula de medicamento em seus remédios, mas que o líquido se “lembra” da substância após o processo de diluição. Como essa memória da substância é obtida nunca foi satisfatoriamente explicada. Os críticos também apontam a dissociação espontânea da água em ácido e base (o que explica porque seu pH é 7). A quantidade de ácido em um medicamento homeopático, embora pequena, é geralmente muito maior do que a quantidade de agentes ativos. Em estudo realizado na Universidade de Toronto, demonstrou-se que realmente há uma "memória da água" sem a presença do soluto, mas ela só resiste por apenas 50 fentosegundos, ou seja 1/20.000.000.000.000 de segundo.

A memória da água também parece se comportar de forma curiosamente seletiva, pois só se lembra dos ingredientes que o preparador do medicamento deseja. Supondo que a amostra inicial de água, com a qual se dilui pela primeira vez um medicamento homeopático, pudesse conter traços de ferrugem de canos, impurezas e outros elementos indesejáveis, concluiria-se que os seus efeitos também seriam dinamizados. Mesmo que um preparador ateste que a amostra de água inicial é pura (por não conter impurezas), o próprio argumento da memória da água indicaria que os efeito de contaminações passadas podem estar presentes, ainda que nenhuma molécula de impureza seja detectada.

Recentemente, céticos em relação à Homeopatia consumiram diante do público grandes quantidade de medicamentos homeopáticos a fim de demonstrar sua falta de efeito. Alguns, como James Randi, Richard Saunders e Peter Bowditch consumiram caixas inteiras de pílulas homeopáticas para dormir no começo de suas palestras públicas. SKEPP (um grupo de céticos belgas) realizou um conferência à imprensa na qual céticos tentaram cometer suicídio coletivo tomando diluições homeopáticas de veneno. [3]. Porém, o ato “falhou” porque ninguém ficou nem ao menos doente.


O problema da "tradição"


Outra crítica à homeopatia é de que os argumentos em seu favor levariam muito em consideração práticas consolidadas sem questionamentos e de que seu conhecimento se pautaria em demasia nas afirmações de Hahnemann acriticamente.


A alegada ausência de efeito placebo em bebês, animais e plantas


Argumenta-se freqüentemente que evidências do efeito favorável da homeopatia em bebês, animais domésticos e plantas seriam provas de que a homeopatia não agiria por efeito placebo, pois estes não estariam suscetiveis a esse efeito. No entanto, bebês e animais domésticos estão sim sujeitos aos efeitos benéficos do aumento de cuidados e atenção por parte do cuidados que ministra o preparado homeopático, que podem produzir as melhoras observadas. Além disso, as evidências a respeito geralmente são baseadas em dados subjetivos por parte de pesquisadores cientes do tratamento, o que pode levar a vieses de interpretação dos resultados. Esses vieses seriam eliminados através de estudos aleatorizados caso-controle duplo-cegos.


Aceitação da homeopatia


Apesar das críticas, a homeopatia é aceita em muitas partes do mundo como uma forma de medicina.

• No Brasil, a partir de 1979 a homeopatia passou a constar no Conselho de Especialidades Médicas da Associação Médica Brasileira e em 1980, do rol de especialidades do Conselho Federal de Medicina, deixando de fazer parte das medicinas alternativas e passando a constituir parte do que hoje se chama medicinas integrativas. O SUS - Sistema Único de Saúde - a inclui em suas rotinas de atendimento e hoje está estabelecida como política de Estado. Há no País médicos veterinários e odontólogos, além de farmacêuticos, que trabalham oficialmente com homeopatia.

• Em Portugal, a Ordem dos Médicos não reconhece a homeopatia como especialidade médica. No entanto, existem duas associações, uma em Lisboa (SPH) e outra no Porto (SPMH), que aceitam apenas médicos como membros. As farmácias em Portugal vendem medicamentos homeopáticos com autorização do Infarmed.

• Na Espanha a homeopatia é reconhecida como especialidade médica, sendo ensinada nas universidades de Sevilha, Valladolid, Múrcia, Barcelona, Bilbao e Málaga.

• Na França a homeopatia segue as regras estabelecidas por Phillipe de Lyon, que só aceita as potências até C 30. Estes medicamentos, prescritos por médicos, são reembolsados pelo sistema público de saúde. Quase todas as farmácias francesas vendem medicamentos homeopáticos.

• Nos EUA, depois de ter sido popular no começo do século XX e ter declinado, a homeopatia ressurge, com escolas de formação em vários estados. Na década de '80 havia cerca de 1000 médicos homeopatas, e outros três mil profissionais usando homeopatia, inclusive dentistas, veterinários e psicólogos.

• Na Romênia a homeopatia foi legalizada em 1969, e é exercida apenas por médicos. Há cerca de setecentos homeopatas no país.

• No Reino Unido e na Austrália a homeopatia é legalizada como prática médica. Um ato do parlamento inglês de 1950 (Ato da Faculdade de Homeopatia) reuniu as leis e regulamentos sobre a prática da homeopatia.

• Na República Checa há cerca de mil médicos homeopatas clássicos, que não receitam apenas remédios homeopáticos porque as companhias de seguro não cobrem os gastos.

• Na Bélgica a homeopatia é reconhecida, desde que praticada por médicos. Cerca de 25% da população belga utiliza por vezes medicamentos homeopáticos

• Nos Países Baixos a homeopatia não tem reconhecimento oficial, mas uma lei de 1996 garante o direito de cada pessoa escolher entre o tratamento pela medicina oficial ou por outra forma de terapia.

• Na Índia há mais de 120 escolas de homeopatia, ligadas a universidades e a hospitais. 19 delas são mantidas pelo governo.

PARTE 3

 

Comentários   

 
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#1 Guest 14-05-2010 13:06
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Essse site me ajudou mto na minha peskisa 8) 
Oba espero tirar nota boa no trabalho..rsrsr s :P 
Blighadaoo..vlw msm ;-)
 

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